sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Carta do Capitão Barba-Molhada


Ilha de Providence, Federação dos Piratas, 4 de novembro de 2011.

Os piratas não são mais reais! Sim, sou um pirata! Eu quero dizer, isso tudo o que se diz hoje e o que se vê não é digno nem de longe de um pirata. Nada para mim existe no mundo hoje, saque, festa, mar, morte, lenda, são invólucros, rótulos projetados por cachorros doentes sedentos por espalhar a doença, o mal da subordinação e humilhação para o prazer de seus olhinhos que giram pelo frango assado, de suas línguas que escorrem a baba-sumo síntese do mundo fétido. Eu disse mundo, sim porque hoje não só os britânicos fedem ao seu próprio excremento: todo o mundo contaminado pela doença cria a imagem do pirata ao seu belo prazer e necessidade, ao interesse do seu setor: eia!! Quão grande é a fraternidade pelo meu amigo, eis o pirata carente. Fogo aos subversivos antidemocratas! A polícia coage o pirata rebelde-justiceiro-das-próprias-mãos porque alega abuso e roubo dos piratas das leis e das riquezas, essa polícia que sustenta o rótulo e a existência dos piratas ricos. E que dance o pirata-lenda, descobridor e aventureiro nas telas luminosas e coloridas dos cinemas, e que faça rir a criancinha esse pirata-palhaço! Esse é o meu lamento! Foi-se o fim do pirata, esquartejado, cabeça na arte e na literatura, porque não? Mãos na rebeldia dos adolescentes, intelectuais subversivos; estômago na pança execrável dessas baleias vestidas de burocratas políticos; pés no mundo encantado das figuras infantis. Estereótipo, ficção, somos como as bruxas! A nós esqueceram o sujeito: Barba-Negra, velho amigo, Bartholomew Roberts, grande canalha, Will O’Well, meu suplício, Busnardo Navarro, pai do meu mar; hoje, aqui e em todo lugar, vocês nunca existiram, ali, ontem, amanhã e depois, vocês são como adjetivos e locuções, maldade, rebeldia, libertinagem, riqueza. Hoje somos lei, somos legais, em todos os sentidos, estamos dentro e fazemos parte desse mundo de merda, o mar onde os peixes não fedem tanto quanto os homens. Não somos mais parte desse mundo e para esses sequer existimos como realidade, como prática. Bruxas, vampiros, feiticeiros e gigantes, abracemo-nos! Bebamos no bar dos banidos do mundo real!



Capitão Barba-Molhada

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